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D
Ecossistemas
Substantivo masculino.
Quando ouvimos a palavra “ecossistema”, é comum associá-la à biologia. No entanto, o termo, introduzido no universo corporativo em 1993 por James Moore, destacou a importância de diferentes atores atuarem juntos para a criação de valor.
Assim como na natureza, onde seres vivos dependem uns dos outros e do ambiente para sobreviver, dentro desse contexto, um ecossistema é uma estrutura colaborativa formada por atores de diferentes indústrias e setores interdependentes. O objetivo disso é gerar um resultado coletivo que nenhum outro ator consegue produzir individualmente.
Esses ecossistemas podem variar conforme os resultados, a comunidade envolvida e o tipo de interdependência existente. Ecossistemas empreendedores geram startups e são formados por comunidades de empreendedores, incubadoras, aceleradoras e investidores. Essa rede é um dos principais pilares do BRIDGE, que articula diversos atores para solucionar desafios complexos como crise climática, desigualdade e desindustrialização.
Na imagem 2/2, mostramos o eVTOL da Eve Air Mobility (Embraer) como um dos exemplos mais emblemáticos de um ecossistema global de inovação. Para sair do papel, o projeto articula uma rede coordenada de atores, estruturada em cinco frentes: desenvolvimento, operações e serviços, gestão de tráfego aéreo urbano, financiamento e regulação.
No desenvolvimento, destacam-se players globais como Thales, BAE Systems e Nidec Aerospace. Na operação, parcerias com RIOgaleão e Revo viabilizam os serviços. O projeto também conta com apoio do BNDES e certificação da ANAC.
Texto: Aline Khouri
Contribuição: Jamil Farkatt
Referências:
Gomes, L. A. de V. et al. (2021). Ecosystem management: Past achievements and future promises
Thomas, L. D. W.; Autio, E. (2020). Innovation ecosystems in management: An organizing typology. In: Oxford Research Encyclopedia of Business and Management, Oxford: Oxford University Press.
Imagens: Eve air mobility; Embraer S.A.; UOL; Revo; Governo Federal; Portal da Indústria.
Deep Tech
Substantivo feminino invariável.
Do inglês “deep technology”; “technologia profunda”.
Segundo Borini, Santos, Gomes e Tommaso (2024),
“Deep tech é um tipo de startup orientada a resolver problemas incertos por meio da oferta de inovações baseadas em descobertas científicas ou tecnológicas. Em geral, são startups que exigem alto investimento e mais tempo para gerar os resultados e impactos esperados.”
Da mesma forma que cientistas desenvolvem pesquisas, processos e serviços nos ecossistemas de conhecimento, avançando nos níveis de TRL e buscando formas de capitalizar esses desenvolvimentos, os empreendedores — muitas vezes representados pelas mesmas pessoas — estruturam modelos de negócio e atuam no ecossistema empreendedor. Isso significa que transitam continuamente entre dois ambientes: o ecossistema de conhecimento e o ecossistema empreendedor (Borini, Santos, Gomes e Tommaso, 2024, p. 67).
Um exemplo relevante é a Metenergy, uma deeptech brasileira dedicada ao desenvolvimento de tecnologias avançadas de previsão meteorológica de alta precisão. Com forte base científica, a empresa combina redes neurais artificiais e modelagem atmosférica de alta resolução para ampliar a precisão das previsões e otimizar o planejamento energético. Atualmente incubada no NIDUS – INOVA USP, polo de inovação da USP, a Metenergy possui o selo de qualidade NDA USP. A empresa também recebe apoio da FAPESP e mantém cooperação acadêmica com a INNOVA POWER no desenvolvimento de pesquisas em modelagem meteorológica e sistemas de energia renovável.
Nota de uso: Em português, emprega-se frequentemente o anglicismo deep tech, embora também apareçam as expressões “tecnologia profunda” ou “tecnologias de base científica”.
Referência: Borini FM, José dos Santos F, Gomes L, Tommaso S (2024), “ThinkBox: The cumulative transitions of the deep tech entrepreneur”. RAUSP Management Journal, Vol. 59 No. 1 pp. 67–72, doi: https://doi.org/10.1108/RAUSP-02-2024-277
