
Jornalista
FEA-USP e Marinha do Brasil assinam protocolo para fortalecer pesquisa e inovação focadas na Amazônia Azul
Por Aline Khoury
Parceria entre o CEPID BRIDGE e a Marinha amplia cooperação estratégica em ciência, tecnologia e gestão da inovação

Vice-Almirante Alfredo Muradas. e Diretora da FEA, Maria Dolores Montoya Diaz, assinam documento.
Crédito: Marinha do Brasil
A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP) e a Marinha do Brasil formalizaram a assinatura de um protocolo de intenções voltado à cooperação em projetos de ensino, pesquisa e serviços em áreas estratégicas para o País. O acordo envolve o CEPID BRIDGE, sediado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP), e tem como eixo central a chamada Amazônia Azul, extensa área marítima sob jurisdição brasileira, considerada estratégica para o desenvolvimento nacional.
Conhecida por sua biodiversidade, recursos naturais e rotas de navegação, a região desempenha papel fundamental na economia, na segurança e na agenda ambiental nacional. Sua preservação e monitoramento exigem integração entre o conhecimento científico, a inovação tecnológica e a capacidade operacional.
O evento contou com a presença da vice-reitora da USP; Liedi Légi Bernucci, da pró-reitora de Pesquisa e Inovação da USP; Maria Helena Palucci Marziale, da diretora da FEA-USP, Profa. Maria Dolores Montoya Diaz; do Almirante de Esquadra e Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), Alexandre Rabello de Faria; do Vice-Almirante da Marinha do Brasil, Alfredo Muradas e do diretor e pesquisador responsável pelo CEPID BRIDGE, Prof. José Afonso Mazzon. O Diretor do Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), o Contra-Almirante Marcos Fricks Cavalcante também participou da solenidade.
A assinatura foi realizada pela Diretora da FEA, Maria Dolores Montoya Diaz, e pelo Vice-Almirante Alfredo Muradas.
Ciência e soberania nacional

Crédito: Marinha do Brasil
Durante o evento, o Almirante Alexandre Rabello de Faria destacou o caráter estratégico da cooperação. Segundo ele, o protocolo reafirma uma tradição de colaboração entre a Marinha e a USP e fortalece o compromisso com o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. “Este acordo amplia nossa capacidade de inovação e reforça a importância da ciência para a soberania nacional”, afirmou. Para o almirante, a articulação entre instituições públicas é essencial para enfrentar desafios contemporâneos marítimos e ao desenvolvimento sustentável.
O Professor José Afonso Mazzon ressaltou que a parceria simboliza o encontro entre a excelência operacional da Marinha e a capacidade de pesquisa e de análise do CEPID BRIDGE. Segundo ele, o protocolo cria bases para iniciativas conjuntas na gestão da inovação, da pesquisa aplicada e do desenvolvimento de soluções voltadas a ecossistemas estratégicos.
“Estamos unindo competências complementares. A produção científica ganha ainda mais relevância quando se conecta a desafios estratégicos concretos. Nosso objetivo é transformar conhecimento em impacto efetivo para a sociedade”, esclareceu.
A Diretora da FEA, Maria Dolores Montoya Diaz, destacou o significado institucional da assinatura. “Este acordo reforça a vocação da FEA para a inovação e a construção de parcerias estratégicas que dialogam com os grandes desafios nacionais”, afirmou.
Nesse contexto, a atuação do BRIDGE dialoga diretamente com o tema. Ao estruturar suas pesquisas nos eixos de crise climática, reindustrialização e desigualdade, o centro contribui para a formulação de estratégias capazes de integrar a preservação ambiental, o desenvolvimento tecnológico e políticas públicas baseadas em evidências.
Em um cenário de intensificação das mudanças climáticas, essa articulação torna-se ainda mais relevante. A alteração dos ecossistemas marinhos e a pressão crescente sobre os recursos naturais impõem a necessidade de monitoramento qualificado e de planejamento estratégico. Nesse cenário, a soberania não se restringe à defesa territorial, mas também envolve a capacidade do País de compreender, gerir e proteger seus próprios recursos marítimos com base em ciência, inovação e gestão orientada por dados — dimensões centrais nas pesquisas desenvolvidas pelo BRIDGE. Preservar a Amazônia Azul significa articular conhecimento científico, capacidade institucional e desenvolvimento sustentável em uma estratégia nacional de longo prazo.
Integração entre atores estratégicos
A Pró-Reitora de Pesquisa e Inovação da universidade, Maria Helena Palucci Marziale, enfatizou que a cooperação evidencia o papel da USP na produção de conhecimento alinhado às demandas do País. “A universidade pública tem a responsabilidade de contribuir com soluções baseadas em evidências. Essa parceria demonstra como ciência e gestão podem caminhar juntas”, afirmou.
Já a Vice-Reitora da USP, Liedi Légi Bernucci, destacou a importância da articulação institucional e da atuação multidisciplinar diante de temas complexos como a preservação marinha e as mudanças climáticas.
Ao aproximar a universidade e a Marinha, o protocolo consolida uma agenda conjunta voltada ao desenvolvimento sustentável, à inovação tecnológica e ao fortalecimento da capacidade científica nacional. A iniciativa reafirma o compromisso das instituições com a produção de conhecimento aplicado e com a construção de soluções estratégicas para o País.
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