Participantes de mesa no SCIBIZ 2026

Jornalista

Publicado em
12 de maio de 2026

CEPID BRIDGE no SCIBIZ 2026: Professoras participam de mesa sobre negócios regenerativos na Amazônia

Laura Cecilio

Começou ontem (11) o maior evento brasileiro, com abrangência internacional, que une pesquisa científica, empreendedorismo e cultura: o SciBiz 2026, realizado no edifício do Centro de Difusão Internacional da Universidade de São Paulo, com programação até amanhã.

A primeira participação do CEPID BRIDGE no evento ocorreu na mesa “A Natureza e as Comunidades Tradicionais como Parceiras de Negócios Regenerativos na Amazônia”, moderada pela professora Aline Homrich (FEI, CEPID-BRIDGE), com participação da professora Silvia Ferraz Nogueira De Tommaso (FIA, FEA-USP, CEPID-BRIDGE), do professor Antonio de Lima Mesquita (UEA), da Head de Sustentabilidade, ESG e Comunicação da Soul ESGS, Cinthia Souto, do CEO da Cellva Ingredients, Sérgio Pinto, e da agente de negócios de bioeconomia da Fundação Paulo Feitosa, Olinda Canhoto.

Após a apresentação dos participantes feita por Homrich, a primeira fala abordou a proposta de economia circular desenvolvida pelo professor Antonio Mesquita. Seu interesse está no reaproveitamento das fibras residuais do açaí, abundantes na produção da região metropolitana de Belém. Segundo o professor-empreendedor, “estamos sentados sobre uma matéria-prima industrial ignorada, mas cada problema contém uma oportunidade”, motivação que o levou, há 15 anos, a buscar alternativas para transformar as 16 mil toneladas descartadas em painéis ecológicos de MDF 

O CEO da Cellva, Sérgio Pinto, apresentou sua experiência no segmento alimentício, trajetória que o levou a identificar o grande desperdício de matéria-prima nesse setor. A empresa reaproveita o fruto do café, frequentemente descartado pela indústria brasileira do grão, transformando-o em substituto do cacau e do caramelo. Segundo CEO, o potencial tecnológico está em reutilizar a cadeia de produção já existente, mobilizando um novo ecossistema com atores independentes, respeitando seus próprios cronogramas de produção, rotas comerciais e dinâmicas locais. 

A agente de negócios de bioeconomia Olinda Canhoto atua no Parque Tecnológico atraindo atores de diferentes áreas de negócio e destacando a relevância das instituições intermediárias, que acolhem os agentes situados entre a colheita de bioingredientes e a estruturação do negócio. A Fundação Paulo Feitosa, incubadora de startups, busca transformar ideias em produtos na área da bioeconomia, relação que, segundo Canhoto, “não vem só da ideia do projeto, mas é dinamizada no parque tecnológico”. Para ela, é importante passar por uma “amazonificação” do negócio, ou seja, envolver-se nas relações locais para compreender as necessidades do território onde se está inserido e valorizar o espaço do Norte do Brasil. 

A Head de Sustentabilidade, ESG e Comunicação da Soul ESGS, Cinthia Souto, compartilhou aspectos de sua imersão de dois meses na Amazônia, destacando sua experiência com o Instituto Hera da Amazônia, organização sem fins lucrativos voltada ao protagonismo e ao empreendedorismo feminino. Souto enfatizou a importância do mapeamento de stakeholders na elaboração de planos de comunicação, argumentando que objetivos alinhados aos diferentes tipos de relação entre os envolvidos tendem a ser alcançados com maior eficácia. Seja para financiadores, comunidades locais, sociedade em geral ou mídia, é fundamental direcionar a comunicação de acordo com cada público estratégico.  

A professora Silvia Tommaso destacou a complementaridade entre as falas dos convidados e afirmou ser necessário compreender a natureza como parceira de negócio: “É preciso ter reciprocidade; não é extrair, é dar e receber”. Além disso, ressaltou a importância de reconhecer a polirritmia, entendendo que o fluxo dos negócios deve dialogar com o fluxo e o desenvolvimento da natureza, assim como a proporcionalidade, que precisa estar alinhada à produtividade natural.

Homrich também questionou Olinda Canhoto sobre a plataformização presente nos ecossistemas digitais. Segundo Canhoto, o parque tecnológico já utiliza inteligência artificial, mas pretende, futuramente, ampliar seu uso para dar visibilidade aos negócios da Amazônia, dinamizar os saberes dos empreendedores da bioeconomia e dos povos originários, além de transformar esse conhecimento em oportunidades de negócio e ampliar sua transparência para a sociedade.

Por fim, a professora Silvia Tommaso afirmou que “é muito rico reunir diferentes atores para trazer diferentes perspectivas”. Segundo ela, é fundamental compreender a intersecção entre os conhecimentos dos povos originários e o empreendedorismo, reconhecendo a inovação como elemento-chave dessa relação, já que “a definição de inovação é um produto ou serviço capaz de melhorar a vida do indivíduo”.

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